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a poesia
é uma parede
pedindo pra ser piXada

se não há pista
a história fica parada

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não consigo suportar essas palavras

odeio a palavra camundongo
odeio a palavra fronha
odeio a palavra piegas
odeio a palavra exame
odeio a palavra cumprimento
odeio a palavra demasiado
odeio a palavra ex
odeio a palavra seminário
odeio a palavra ranhura
odeio a palavra auréola
odeio a palavra perfil
odeio a palavra fogosa
odeio ter que usar a palavra odeio repetidas vezes
numa tentativa de explicar o inexplicável
dos sons das vogais
dos encontros consonantais
das agonais mortais
odeio que não exista
uma cooperativa de reciclar palavras.

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ABNT

tava aqui pensando que as fontes do cotidiano oficial dão sobriedade para os textos, mas nem de longe são as mais apropriadas para certos tipos de enunciações. exemplo: se fulano, que detesta sua caligrafia, quer mandar uma carta erótica em formato eletrônico mesmo, uma confissão da histórica vontade de ter com o interlocutor na horizontal, floreada com adjetivação típica e repleta de citações e com porção extra de chantilly, teria mais êxito se utilizar fontes charmosas como garamond ou cambria (ou até courier new, se há pitadas cinematográficas). o mesmo texto composto em times new roman fará o outro pensar em autenticá-lo no cartório mais próximo. em arial, talvez o inspire a somente deitar-se sobre a edição mais recente da abnt a fim de perceber incongruências. o erro tipográfico eu não cometeria, talvez outros. e como pessimista profissional, aguardaria o não, que costuma vir em negrito.

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me escreve dizendo
preciso te ver
andei pensando tanta coisa
olha…
tudo é tão diferente
me conversa
fala do tempo
das cores
dos precipícios
o que sai da sua boca
toca minha nuca
como se abrissem caminhos
como se lançassem sementes
do outro lado
o sol aquarela no horizonte
um abraço sorrindo
te vejo na curva

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