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esse alguém sou eu e você

alguém que te ame muito
alguém que ame sua maré cheia e também mansa
alguém que ame suas dobras
alguém que ame suas marcas e sobras
alguém que te encoraje a fabricar a cartografia dos mapas da vida sem o medo
alguém que te ache incrivelmente incrível
alguém que chame o seu nome
como a noite chama a madrugada e o dia
alguém que não te faça mal
alguém com um amor tão grande
que não te manipule
nem faça jogos
porque esse alguém
e principalmente
o amor
sabe que a vida já é complicada o bastante.

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acordadadormindo

quando durmo com ele
o mundo acorda sorrindo
cantando

quando durmo com ele
sonhos de todas as cores
gritam no silêncio cinza do muro

quando durmo com ele
borboletas acordam pixando
saio escrevendo seu nome nas calçadas
e esquinas por onde ando

quando durmo com ele
acordo dançando
como se vivesse
na cena de um filme
clássico-real
focada no seu plano

quando durmo com ele
abraçada desde as pontas do dedos
aos fios dos cabelos
fico sem vontade alguma
de ir embora cedo
já com saudade
do seu peito
do seu cheiro
e até da baba
no seu travesseiro.

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no meu jeito confuso, resolvi te escrever um negócio. que caminha do coração e passa pra voz e assim segue voando pra fora. o ferreira gullar falou da sua voz. ousado que é. ele disse que quando te ouvia cantando, lembrava de um pássaro. “não um pássaro cantando, mas sim um pássaro voando”. resolvi que compartilharia desses versos com você. o outro. manuel bandeira. também falou sobre os sentidos. só que do jeito dele, sabe? denso. simples. “te amo como se ama um passarinho morto”. confesso. custei a entender. continuei eufórica por querer tanto escrever algo desse tipo. sobre amor. morte. misturando tudo que mais assusta gente nesse mundo. eu admito: também te amo como se ama um passarinho morto. sabe por quê? quando vejo um pássaro morto dá vontade de pegar e por na palma da mão. levar de encontro ao meu rosto. acarinhar. chorar. e falar: voa, voa, passarinho morto.

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inspirado nos fatos facebookianos

Se deu certo beber aquela cerveja, se o cachorro foi encontrado, se a raiva passou, se a indireta funcionou, se tá tudo bem com o fulano que precisava de sangue, se a gvt resolveu o problema, se a dieta tá indo bem, se lhe indicaram o encanador certo, se você conseguiu dar, se o bebê nasceu com saúde, se a pobreza foi embora. Às vezes nós, leitores de timeline, não sabemos o desfecho de alguns discursos, convocando nossa inalienável curiosidade. No meu caso, parto logo para a invenção e assim posso imaginar que: aquela cerveja foi um sucesso, tanto que se transformo em vodca, depois em tequila, depois em cachaça e depois em completa amnésia; o cachorro foi encontrado e adotado por uma família de saguis e vive muito melhor pulando de árvore em árvore; toda a energia da raiva se tornou em trabalho voluntário numa ong; a indireta não obteve o sucesso desejado pois o emissor já estava até bloqueado; o fulano que precisava de sangue tá ótimo de saúde, já tá até correndo maratona; a gvt não só resolveu o problema como enviou um técnico lindo e aí vocês transaram a tarde toda e gravaram tudo com uma conexão maravilhosa e tão fazendo o maior sucesso no xvideos; a dieta deu errado, mas você nem liga porque tá uma lindeza do mesmo jeito; não era apenas um encanador, era o mcgyver e consertou todos os defeitos da casa; você não deu pra ninguém, mas resolveu seu problema da sua forma, do seu jeito e tá tudo bem; o bebê tá lindo e se chama uellington da silva; a pobreza foi subvertida no momento em que você soube que recebeu uma herança bilionária de um parente distante e assim se casou com o técnico da gvt, empregou melhor o encanador, sustenta uma ong, comprou o xvideos, adotou quinze filhos e cinquenta cachorros e vive muito bem, obrigado.

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