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seus desenhos
trazem algumas surpresas
do muito que aconteceu
como no dia em que suas mãos
desenharam na minha barriga
o caminho para sua casa
eu ia e voltava
de olhos fechados
tentando acalmar
um borboletário no estômago
porque a sua presença
é parecida com lasers
que invade as aberturas do céu
e risca do calendário os dias
que são difícies de viver
talvez seja mais fácil
escrever poemas que desenhar
porque quando criança
sempre pintava fora dos limites
assinando desastres naturais
acreditando absurdamente
que as palavras precisavam
parar de fazer silêncio
e trazer as surpresas
do muito que existe
aqui dentro.

 

 

 

 

 

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nada

eu tento escrever e não sai nada
as rimas saem todas erradas
por acaso me veio essa ideia chata
e não me satisfez em nada
uma música
um poema
um filme
algo que me deixe inspirada
apago tudo e volto pro zero
sinônimo de nada
depois que acendo meu cigarro
o isqueiro apaga
olho para minhas contas
vencidas, atrasadas
serasa
as borras do café formaram um desenho
me disseram que trava
mas passa
e passa como a noite abraça o dia
como alguém sem memória
como alguém que um dia acorda
e só se recorda do nada.

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através dos meus sentidos
dentro te sinto
quatro paredes
solidão secreta
corpo nas nuvens
viagem que não tem fim
dedos que coreografam círculos
subidas e descidas
o quadril que rege o movimento do infinito
oito invertido
desordem
sobrou calor no quarto
transpirando desejos
orquestrei sozinha a peça dos meus sussurros

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