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a mesma mão que eu segurei
também me agarrou
a mesma mão que me agarrou
me arranhou
a mesma mão que me arranhou
me soltou
a mesma mão que me soltou
hoje me chama
e eu me despeço

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quando crescer quero ser grande
maior que o tamanho do meu medo
quando crescer quero ser forte
onde não me doa nada
mesmo que encontre portas fechadas
mesmo que ande sozinha na madrugada

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depois de tempos áridos, rabisco um rascunho do que poderíamos ter sido naquele dia. eu não te conheci quando te vi. tão pouco lembro a data, mas lembro do gesto. você estava um pouco perdido diante da multidão de latão de brahma e eu perdida na órbita dos silêncios barulhentos tentando me concentrar nas coisas que dizia. poderíamos ter lido algo bobo. juntos. em voz alta, repetidamente. até secarmos nossas bocas, até irritarmos nossas gargantas, secarmos nossas taças, até que arrancássemos nossas roupas e os vizinhos surtariam e bateriam, irritados, na porta do quarto, onde dormimos pelados.

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suficientemente sóbria para dizer adeus

antes de você sair
preciso que veja
se o concerto do teto funcionou
preciso que não esqueça
de comer as frutas da feira
observe
se não deixei
no canto do quarto
a cortina que comprei
para colocar na janela
essa que sempre te acorda
quando eu insisto em abrir
assim que o sol se ajeita melhor no céu
procure
no pote de ração
olhe também embaixo da rede
na água parada do jarro de flores que você esquece de jogar
na indignação que existe junto com a raiva
quando liga e escuta notícias da televisão
entre os boletos na estante
nas bitucas de cigarro
nas mil declarações de amor que lhe chegam inbox
vigie se por ali
no cheiro do café
no pão assado
os farelos sobre a mesa
no silêncio entre as notas de sua música preferida
dá uma olhada se não larguei por esses cantos
os sete pedaços do meu coração.

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