Arquivo mensal: agosto 2016

mariana meu amor,
seu homem sou eu,
Samarco.
vou te vazar num marco histórico
[o meu crime irão chamar de acidente]

meu amor, minha mina
a ereção de te explodir
e extrair-te num tremor
tem um método e um preço;
rejeito os dejetos
dos restos suspeitos
injeto do jeito
incerto,
mas não vou pagar
pelos danos danados do meu gozar
vou partir, mariana
até romper-te as barragens
que sustentam meu prazer,
pois mereço
apesar de toda lama toxica que é a humanidade insana
nesta estrofe catastrófica
parte de ti, pedaço da terra.
se não engoles o meu bagaço
explodes rompante feito fim do mundo
segundo no qual antecede a morte
abastece a rota
abestalha a fera
tragédia de dor e miséria
vai dar no mar
a des(l)amariana.

water love

basta você
me chamar
pra um mergulho
que eu viro riacho
daqueles bem largos.
esqueço o diacho
pra nadar em você,
pois só sendo água
é quando melhor me encaixo;
nos caminhos do teu corpo
movimento vivo,
perdida fico,
logo depois me acho.

joão

hoje eu senti saudade do meu avô.

e ele se foi tão cedo
logo de manhã
cedo pra mim
que na pouca idade
nada entendia
sobre hora de partida
só contava os dias nos dedos
esperando ele voltar
acordar
pra gente conversar
ir pescar
molhar a farinha
e fazer bolinhas menores que o tamanho da boca de uma piaba

hoje eu senti saudade de você, vovô
quando dobrei religiosamente a esquina
e dei de cara com um velho
que muito parecia com o senhor
camisa do flamengo bigode branco cigarro
e ele também tinha a sua cor
melanina
sua linda forte cor

hoje eu senti saudade de você, vovô
dias atrás
sonhei com o senhor
te escrevo essa poesia à sua encomenda
porque nela você me pedia
pra falar de amor.

pro desjejum, mix 7 grãos. 12 grãos. naturais.
sem conservantes.
pra leitura – cervantes.
um café duplo. filtrado. mineral.
sem aditivos.
pra pegar no tranco – açúcar.
pro almoço, feijão, farinha e brotos.
pro pós almoço – um cochilo
pro jantar, vinho, massa, mussarela. azeite extra virgem prensado a frio.
pra dormir – química. muita química. na cama aos beijos longos.
proteína animal, não abro mão.

ensaio sobre a cegueira

você é mais cego
que um nó

não percebe
que de tu eu gosto

mais fácil ter atenção de um gato
que meus pés encostarem ao menos nos teus sapatos

diante de tal desprezo
só escrevo:

desenho um mapa
pra pousar depois do salto.