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sem segredo

a vida anda mal mas tô
com a cabeça no travesseiro
pensando em pedalar do viral
à barra dos coqueiros
dispenso a ideia
a maré ainda tá cheia
o mar igual ao nível
você pra mim irresistível
fico me perguntando o dia todo
como pode tudo contigo
ficar mais gostoso
uma taça de vinho
bem de leve
pode começar com um beijo no rosto
quatro paredes
uma cama minha ganja
você na minha mente
invadindo o meu corpo
fala pra mim
que você quer me encontrar
quero que chegue logo
pra roubar da minha boca o ar
não tem pressa
não fala em compromisso
maior pecado do mundo
só pode ser desejo omisso
me derreti
vendo o seu corpo nu
pirei quando tirou minha roupa
ao som da erykah badu
aí já era
só deixa acontecer
assuste o seu medo
deixe ele fora de você
anatomia de fazer amor
com encaixe perfeito
depois de de te provar
nem vou dormir direito
tenho pouco dinheiro
mas muita ideia pra rimar
lembrar da nossa transa
fez a minha saudade aumentar
então fica o recado
te contei os meus segredos
posso contar o resto
debaixo do chuveiro
tá na ativa?
espero a frase afirmativa
relaxa e ouve
passa na minha casa hoje?

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ligêra

sinto o aperto dos dias
a correira fato tão presente no meu dia
batalhas que travo com ousadia
em busca para ser uma mulher com autonomia
por vezes se instala a agonia
nem todos os sonhos se realizam feito magia
andar com os pé no chão
e a cabeça um pouco nas nuvens
o olho é de lince
calibrado para enxergar
a bondade a maldade
daqueles que apertam nossa mão
necessário ter visão
nem todos permanecem ao nosso lado
nos dias de cão
vi muitos olhos tristes
nos lugares onde estive
muitas perguntas sem respostas
eu também tive
tentando encaixar a peça
que sempre falta no quebra-cabeça
tentando falar para você
que a vida vai muito além
da ilusão do “quero ter”
não crê?
vamo descer pra ver
o que tem do outro lado
galáxias internas
ou porões abandonados?
a revolução sai do singular para o coletivo
revolução interna também pode ser
saída estratégica
fortaleça sua alma
cuide dos seus
se permita desabar
pois o alicerce que te sustenta
nunca cederá
tô disposta a rimar nas trevas
se a minha amiga me ajudar
sempre desobedecer
nunca reverenciar
o inimigo tá à espereita
mas somos ligeiras no desviar.

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o mapa que me levaria para você

hoje pela noite
só consegui pensar em você
enquanto ouvia os pingos
que saem da goteira que tem no meu quarto
eu teimava tentando imaginar
um barulho parecido com a sua voz
fiquei observando a goteira
as manchas de água formavam mapas
estampavam esquinas continentes fronteiras
e pensar que fisicamente estamos distantes
mas ficamos tão próximos quando
consigo dobrar o mapa
estendido sobre meus joelhos
isso é tão bonito
quanto uma mágica
que é capaz de enganar
nossos olhos dentro de uma fração de poucos segundos
eu quis desenhar novos mapas
colocando nossas localizações próximas
uma sobrepondo a outra
mas sou péssima desenhista
uma terrível intérprete de mapas
e fui muito mal nas aulas de cartografia
então me restou
voltar a escrever
e enquanto escrevia
pensava “que desgraça”
não é vazio
nem cheio
ficar pensando em você.

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palácio

teu sorriso
como um
sol poente
fico demente
toda vez que te vejo
aguardo impaciente
fico na espera
de que as palavras
pulem da minha boca
como soltam os cabelos
presos no pente
me tremo só de pensar
no teu corpo presente
a língua fica quente
a perna quer alcançar
aquilo que é rente ao pé
o chão
quente
já cansei de imaginar
a gente se misturando
feito aguardente
coisas químicas
uma mistura ardente
bem al dente
no calor sincero
que nem carece fala
apenas sente
me tente
tô doida esperando
o dia em que
vou te ouvir dizer:
vem. entre.
me esquente.

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